11/12/2023
já me despedi diversas vezes, de várias maneiras, já tive reações diferentes. já senti o desconforto de olhar no olho de quem eu amava e queria que continuasse na minha vida por mais tempo do que gostaria, mas chegou a hora de usar o amor com inteligência e ser leal ao que eu acreditava que era afeto, e então eu precisei dizer: eu preciso ir.
a gente sente quando a hora da despedida chega, porque ela não chega de uma hora pra outra, ela chega em gestos, em leitura do outro, em falta de diálogo, de atenção e de cuidado. a gente sente. e as vezes a gente prefere deixar pra semana que vem, ou talvez pro mês que vem, ou talvez até o momento em que a gente se sinta confortável e exausto o suficiente pra partir.
mas acontece que a despedida não é confortável. por mais que seja uma despedida leve, com sorrisos, abraços, e palavras de agradecimento.
é desconfortável.
imagina quando a despedida vem em forma de silêncio. não tem palavras. não tem mensagens. só o silêncio. se tem uma coisa cruel eu preciso te dizer é que, na vida adulta você vai ter que aceitar no cru, que algumas relações terminam em silêncio. por mais que você fique indignado, por mais que você não concorde, ou ache imaturo, ou irresponsável demais. a verdade é que isso vai acontecer. mais vezes do que você estaria preparado pra presenciar.
e não há o que fazer a não ser aceitar que o silêncio também é uma resposta. dura, áspera, mas é uma resposta.
eu já me despedi de quem eu queria muito, já me despedi de quem me queria muito e mesmo assim eu não consegui querer tanto também, já se despediram de mim no momento em que eu me entreguei, já me fizeram acreditar que iriam ficar e quando eu fiquei, foram embora. o que eu quero te dizer é que, independente do amor que você sinta, independente do quanto você queira ficar, ou do quanto queiram que você permaneça, às vezes as despedidas precisam acontecer.
precisam acontecer pra que você não se perca de você. pra que você continue seguindo o seu propósito. pra que você não abra mão de quem você é.
despedidas não são confortáveis.
mas às vezes nem a permanência é.
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Iande Albuquerque