04/03/2024
Rick Rubin- The Creative Way: A Way of Being
Os melhores livros da nossa vida são aqueles que nos encontram ao acaso e nos conquistam, sem sabermos bem porquê.
Foi assim que conheci este mágico livro- The Creative Way. Passeava por uma loja de livros em Joanesburgo, quando, ao apreciar a montra dos livros mais vendidos, sou atraído por um livro diferente, que estava na secção “Recomendações do staff”. Algo me puxou, de imediato, para o livro. Peguei nele, senti-o e soube que havia ali algo especial. É assim com alguns livros; sabemos que vamos gostar deles antes mesmo de os ler. A simplicidade artística da capa demonstrava o seu carácter. Tinha nas mãos um livro diferente. Um livro sobre arte. Um livro que é arte.
Acabei, na semana passada, a minha primeira excursão por esta obra, na certeza de que muitas mais se seguiram. O livro repousa, agora, na prateleira sagrada da minha biblioteca caseira, onde foi bem recebido por outros livros eternos em mim, como O Livro do Desassossego, ou O Retrato de Dorian Gray, entre outros.
The Creative Way é um livro filosófico sobre a criatividade. É um manifesto obrigatório para qualquer artista. Nele redescobrimos a essência da arte, na sua mais pura expressão.
Volumoso, mas de leitura leve, este livro é um guião para nos tornarmos artistas, ou alcançarmos dimensões mais profundas, se já somos artistas. o livro não está estruturado por capítulos, mas por etapas, mais emocionais do que lógicas, que nos guiam pelo processo de criação.
Mais do que regras, que geralmente são limitantes, traz-nos princípios, que nos expandem, como criadores. Mais do que ensinamentos, deixa-nos com sentimentos. Mais do que nos moldar, ajuda-nos a libertarmo-nos.
Um verdadeiro apanágio do sentimento que precisa existir para poder fazer existir, esta obra devolve-nos ao momento em que nos apaixonámos pela arte, seja qual for a sua forma.
Repleto de frases geniais, tentadoras demais para não serem partilhadas, o que f**a é a absoluta simplicidade do mais importante, quando se fala em criação artística. A arte deve ser criada porque tu, artista, a sentes e o teu dever é encontrar a melhor forma de expressão possível nela. A arte cria-se, defende Rick Rubin, de dentro para dentro. Como se nela encontrássemos o propósito de certos momentos da vida. Em certos casos, em certas obras, quiçá da vida inteira.
A arte não se interpreta, acrescenta. Sente-se. Tudo o que for mais complexo que isso é superficial e, logo, desnecessário.
Acredito ser impossível ler esta obra e não se sentir inspirado a criar ou, pelo menos, re-apaixonado pela vida e pelas possibilidades invisíveis que ela encerra.
Arte é uma reverberação de uma vida impermanente, diz-nos Rubin, numa curta frase com a profundidade da eternidade.
Numa outra parte do livro, de forma mais extensa, mas igualmente bela, Rubin desafia-nos a imaginar que vamos viver para uma casa isolada no topo de uma montanha. Uma casa onde ninguém nos visitará. Um refúgio nosso, apenas nosso. E instiga-nos a pensar em cada detalhe que queremos lá colocar, nesse refúgio absoluto, onde estaremos sós e seremos nós. Apesar de não ser um espaço aberto a visitas, Rubin intui que iremos colocar a nossa alma em cada detalhe dessa casa. E, conclui, essa é, afinal a essência da verdadeira arte.
Existe um audiobook disponível no Youtube, para quem prefere este formato. Mas, digo-vos, este livro, na sua versão física, é, em sim, um autêntico estímulo aos sentimentos.
Espero que se permitam o deleite desta bela leitura, que tenham a coragem para se conectarem aos vossos próprios sentimentos e, no fim, tenham a humildade de permitir que nasça, dentro de vós, a arte que esta obra inspira.
“O objectivo não é criar arte,
Mas sim estar naquele maravilhoso estado
Que faz da arte inevitável.”
Robert Henri
Carlos Osvaldo Mabutana