28/04/2026
Conferência “Mulheres nas Finanças” debate inclusão financeira das mulheres em Moçambique
A cidade de Maputo acolheu, recentemente, a segunda conferência “Mulheres nas Finanças”, um espaço de reflexão e partilha sobre os desafios e oportunidades da inclusão financeira feminina, com enfoque no papel dos dados e das tecnologias digitais.
O evento, que decorreu sob o lema “Partilhe Dados e Conquiste a Inclusão: Promover a Inclusão Financeira das Mulheres Através do Empoderamento Digital”, foi organizado pela FSDMoç, em parceria com o Banco Mundial, e reuniu representantes do sector financeiro, entidades públicas e especialistas para discutir soluções financeiras mais inclusivas e sustentáveis.
Na sua intervenção, a directora executiva da FSDMoç, Dra. Esselina Macome, destacou que, apesar dos progressos registados, persistem desafios estruturais na inclusão económica das mulheres, sobretudo ao nível da sua participação em posições de liderança.
“Por exemplo, apenas 16% das mulheres estão nos conselhos de administração e 20% nas comissões executivas. É um avanço, mas ainda há trabalho a ser feito. A inclusão financeira das mulheres não é apenas uma questão de equidade, mas uma condição essencial para o desenvolvimento económico e sustentável do nosso País”, referiu.
Durante o evento, foi igualmente sublinhada a necessidade de uma abordagem mais intencional no acesso ao crédito e na utilização estratégica de dados digitais para o desenvolvimento de soluções financeiras sensíveis ao género.
Na ocasião, o administrador-delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício, que participou num dos painéis dedicados ao tema, apresentou dados que evidenciam o desfasamento entre a utilização dos serviços financeiros e o acesso ao financiamento por parte das mulheres.
“Entre os nossos clientes activos, a representatividade feminina situa-se nos 48%, aproximando-se da paridade, mas apenas 22% do crédito é concedido a mulheres. Este é provavelmente o dado mais importante, uma vez que o acesso ao financiamento continua a ser um dos principais factores que condicionam a participação económica feminina, sendo que esta distância entre os 48% de utilização activa e os 22% de financiamento é um indicador claro do fosso que existe no nosso sistema”, afirmou.
A conferência contou também com a presença da ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, que dirigiu a sessão de abertura e destacou a dimensão do desafio da inclusão financeira no País, particularmente nas zonas rurais.
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