05/06/2026
Num curto período de tempo, a Nike e a Adidas lembraram-nos de uma verdade simples: os anúncios mais memoráveis raramente são aqueles que tentam vender alguma coisa. São aqueles que nos fazem sentir parte de algo maior.
Por um lado, a Nike reúne Cristiano Ronaldo, LeBron James, Kim Kardashian, Travis Scott e até Ted Lasso numa narrativa que mistura desporto, entretenimento e cultura popular. Por outro, a Adidas atravessa gerações e geografias com Timothée Chalamet, Messi, Zidane, Beckham, Bad Bunny, Lamine Yamal e Trinity Rodman numa campanha que habita vários universos culturais em simultâneo.
Durante anos, a publicidade foi-se tornando mais eficiente e menos memorável. Otimizou-se para métricas, para cliques, para conversões. E pelo caminho, muitas marcas deixaram de criar momentos capazes de gerar conversa, expectativa ou envolvimento emocional. Desta vez, as duas fizeram o contrário.
Criaram anúncios como se faziam antes: peças que obrigam a parar, a prestar atenção, a procurar signif**ado. Que não explicam tudo e que deixam espaço para interpretação. Que juntam personalidades de mundos diferentes não apenas pela sua fama, mas pelo que cada uma representa culturalmente.
Não falam de roupa de desporto. Falam de ambição, identidade, criatividade e impacto. Falam da capacidade que algumas marcas ainda têm de ocupar um lugar na cultura e não apenas no mercado.
Num mundo onde a atenção é cada vez mais escassa, talvez esta seja a maior lição: as pessoas não se lembram dos anúncios que as interrompem. Lembram-se daqueles que merecem ser vistos.
E é precisamente isso que distingue uma marca conhecida de uma marca culturalmente relevante. Qual foi o último anúncio que o fez parar para ver até ao fim?
It was all going to plan until footballer's instincts took over…T...