18/08/2016
O presidente da Câmara Municipal de Baião, Paulo Pereira, referiu que quanto mais a fundo se estuda a história de Baião, mais se percebe a forma como o concelho foi evoluindo no contexto regional e nacional ao longo dos tempos
“Ao lermos estas obras de investigação histórica conseguimos perceber como chegamos até aqui e também conhecer, mais em detalhe, a nossa identidade e o porquê do concelho estar estruturado desta forma. O porquê de sermos assim e quais as forças que foram moldando Baião ao longo dos séculos e fazendo do concelho o que ele é hoje”, observou Paulo Pereira, a 12 de agosto, aquando da apresentação da obra “Baião – Em Torno do ano 1500”, de Joel Ferreira da Mata.
Esta obra incluída na coleção de 10 volumes “História Económica e Social de Baião” apresenta a organização económica do território e o modo de vida dos diferentes atores que compunham a malha social de Baião, desde o povo, com destaque para os agricultores e pescadores, às elites vigentes, compostas pelos oficiais administrativos e judiciais e ainda pelos senhores laicos e religiosos.
HÁ 500 ANOS… COMO AGORA
Paulo Pereira referiu que ao ler a obra podemos perceber que muitos dos conflitos e disputas sociais, políticas e económicas que existiam em torno de 1500 assimilavam-se a problemáticas existentes nos nossos dias. É o exemplo da tensão em torno da cobrança de impostos ou dos conflitos entre os mais poderosos e os “poderes públicos” à época representados, respetivamente, pelos cónegos do Mosteiro de Santo André e pela vereação do município.
Paulo Pereira enalteceu, também, outros aspetos interessantes abordados da leitura do livro: como sejam o facto de Baião ser, naquele tempo, um dos concelhos mais populosos da região e de vultos de relevo estarem ligados ao concelho, como por exemplo, Jorge Dias Cabral, fundador da Torre de Campelo e que era irmão do navegador Pedro Álvares Cabral. Paulo Pereira classificou a obra como um pilar importante para a divulgação e o conhecimento da história de Baião e que deve encher de orgulho todos os baionenses.
DISPUTAS E CONFLITOS
O autor do livro agradeceu o desafio lançado pela Câmara Municipal de Baião para a elaboração do livro. E explicou que o período abordado na obra foi marcado por tensões sociopolíticas entre o povo e as elites, mas também entre as classes mais privilegiadas. “Ao longo dos séculos XV e XVI são muitas as querelas que vão colocar de lado oposto diferentes elementos sociais que integravam as elites privilegiadas de então, destacando-se as ocorridas entre a vereação do município e os cónegos do Mosteiro de Santo André de Ancede, chegando mesmo a ser necessária a intervenção régia em algumas matérias”, explicou Joel Mata.
O livro – o quarto da coleção a ser lançado – permite ainda conhecer aspetos tão diversos como os nomes mais utilizados nas certidões de batismo, os tipos de contratos estabelecidos ou os pesados encargos a que a maioria da população estava sujeita. “Baião – Em Torno do ano 1500” permite-nos ainda perceber os tipos de trabalhos agrícolas já existentes no concelho àquela época, como a plantação da vinha e do olival, os coutos, a pesca ou a capacidade de semear campos e leiras.
INICIATIVA DE GRANDE IMPORTÂNCIA
A sessão de apresentação da obra teve lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho. A cerimónia foi moderada pelo presidente da Assembleia Municipal, José Pinho Silva, que louvou a iniciativa camarária de edição da História Económica e Social, que permite “aprofundar o conhecimento sobre de onde vimos, onde estamos e para onde vamos, mas também afirmar Baião como um dos territórios mais antigos da nacionalidade portuguesa".
Também o antigo presidente da Câmara Municipal de Baião e atual secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro e o arqueólogo e coordenador da História Económica e Social, Lino Tavares Dias, usaram da palavra.
José Luís Carneiro mostrou-se satisfeito pela continuidade da edição de uma obra tão importante como a História Económica e Social de Baião. Em concreto esta obra, mostra, no entender do governante, a partir do exemplo de Baião, o modo como o país se foi desenvolvendo. “É interessante ver como a partir da história de Baião se podem compreender muitos aspetos da nossa história coletiva nacional”, observou.
Lino Tavares Dias referiu que a edição da História Económica e Social foi um desafio enorme mas que o resultado “é muito sólido do ponto de vista científico” dada a grande qualidade dos autores que participaram. O coordenador da coleção explicou que na base do trabalho estiveram as marcas do território de Baião, nomeadamente a paisagem cultural e edificada, tal como é advogado pela Convenção da Paisagem da UNESCO.
SETE CAPÍTULOS E 320 PÁGINAS
A obra estende-se ao longo de 320 páginas e divide-se em sete capítulos: Perfil Sociológico do concelho de Baião; Morar e Viver no Concelho; a Justiça e Administração Pública: Conflitualidade Entre o Concelho e o Mosteiro de Ancede; Trabalhar e Pagar as Rendas Agrícolas e os Impostos; a Contratação Enfitêutica: os Contratos Agrícolas; os Encargos Contratuais; e, por fim, a Carga Tributária e Fiscal.
Este livro insere-se na coleção “Em Torno de Baião – Contributos para a História Económica e Social de Baião. Cada um dos 10 volumes é dedicado a uma época específica da história de Baião, desde a pré-história até à contemporaneidade.
As três primeiras obras a serem lançadas “Baião – Em Torno do ano Zero”, “Baião – Em Torno do ano 500” e “Baião – Em Torno de 1800-1910 Poderes e Dinâmicas, Mutações e Permanências” podem ser encontrados na Loja Interativa de Turismo de Baião, no Mosteiro de Santo André, em Ancede, ou encomendadas através do email [email protected] .