16/09/2024
"Quem não tem cão, caça como gato!"
Como diz o ditado: "Quem não tem cão, caça como gato!" Assim começa mais uma temporada do campeonato português, onde, geralmente, os três grandes (Benfica, Sporting e Porto) são favorecidos pelos árbitros. É uma triste realidade que faz do nosso futebol um dos menos competitivos da Europa. Para estes intervenientes no futebol, só as três grandes equipas importam — o resto não traz dinheiro nem prestígio.
Na minha opinião, o verdadeiro culpado desta situação é a direção da Liga de Futebol. Ela deveria exigir melhores desempenhos da arbitragem, implementando uma política de qualidade que impulsionasse o crescimento do futebol português. A Liga já elege os melhores jogadores e árbitros da semana e do mês, com a votação sendo feita pelos próprios intervenientes. Mas, por que não eleger também o pior árbitro da semana, numa votação realizada por treinadores e capitães das equipas? Não deveria estar nas mãos de comentadores nem de delegados dos clubes, que têm as suas próprias agendas. Não esperem que estes elementos façam o seu melhor, pois estão lá para servir os seus clubes, não o futebol nacional.
Um exemplo recente desta injustiça ocorreu na última jornada. O Sporting jogou contra o Arouca na sexta-feira, num jogo amplamente dominado pelo Sporting. Na minha opinião, houve um penalti a favor do Sporting que não deveria ter sido assinalado — uma mão na bola que, para mim, não existiu. Mesmo assim, o Sporting fez mais do que o suficiente para vencer confortavelmente. No entanto, o árbitro e o VAR deveriam ter sido mais profissionais, focando-se no evidente e não no provável.
No sábado, foi a vez do Benfica. Mais uma vez, não se coloca em causa a justiça da vitória — o Benfica foi superior ao Santa Clara e não precisava da ajuda do árbitro. Contudo, houve uma falta no lance do primeiro golo, e os árbitros falharam ao não seguir o que o regulamento prevê: analisar toda a jogada. Se tivessem feito isso, o Santa Clara não estaria a reclamar, e a vitória do Benfica seria indiscutível.
Por fim, no jogo do Porto, a incoerência dos árbitros foi ainda maior. O Porto foi claramente superior, mas houve dois erros evidentes por parte do árbitro e do VAR, provando mais uma vez que os clubes pequenos são frequentemente prejudicados.
Se esta situação continuar, o nosso campeonato será cada vez menos valorizado pelas razões certas. Semana após semana, enfrentamos esta falta de maturidade competitiva, e assim, o futebol português nunca se tornará financeiramente atraente para os investidores. Estamos a perder oportunidades porque permitimos que os árbitros se tornem os protagonistas dos jogos.
Precisamos de crescer e ter, pelo menos, quatro a seis clubes a lutar pelo título. Não me importaria de ver o Braga, o Guimarães ou o Famalicão a sagrarem-se campeões. Isso tornaria o campeonato mais interessante, competitivo e financeiramente mais sustentável, aproximando-nos do sucesso dos maiores campeonatos europeus.