05/06/2026
Trabalhei durante 4 anos numa empresa de publicidade.
2 desses anos foi a queixar-me todos os dias.
Que estava frustrada, que não me valorizavam, que o trabalho não me desafiava, que ganhava 20€ a mais que o ordenado mínimo.
Mas mesmo assim não saía de lá.
Porque era "seguro".
Porque pelo menos sabia o que ia encontrar na segunda-feira de manhã.
Porque o medo de sair para o desconhecido era maior que o desconforto de f**ar.
E o desconforto de f**ar era muito.
Não havia nada que me fizesse querer ir trabalhar. Nenhum projeto que me acendesse.
Nenhuma segunda-feira que não custasse. E mesmo assim f**ava e continuava a reclamar, como se as coisas fossem mudar sozinhas.
Até que um dia pensei: eu queixo-me, mas a mudança só depende de mim.
De eu querer.
De eu procurar.
De eu mexer o cu.
Há uma coisa que a minha psicóloga me disse e que nunca mais me saiu da cabeça: dizer que "não consigo" dá o mesmo trabalho que dizer que "eu consigo" . A diferença é que quando dizes que não consegues, já assumiste para ti mesmo que não vais fazer nada. Podes descansar. Quando dizes "consigo", tens de tomar uma acção. E depois outra. E mais uma.
É por isso que o "não consigo" é tão confortável. Não exige nada de ti.
Se não te faz feliz, sai. Eu também saí. Mesmo que não tivesse saído para um sítio melhor, pelo menos tinha saído para um sítio diferente. E na realidade, já não estava bem onde estava.
Então diz-me uma coisa: o que é que te impede de fazer?