11/08/2026
A proposta, que chegou por WhatsApp, era mesmo essa.
“Somos uma empresa de design. Estive a ver o site da vossa empresa, e acho que precisa de umas melhorias”. Eu, com os meus botões, concordei.
“Quer uma proposta de reformulação? É sem compromisso e sem custos. Entregamos amanhã”.
A moça que mandava a mensagem certamente não tinha reparado que a Hamlet é uma empresa de comunicação de marketing. E que, entre outras coisas, fazemos sites para os nossos clientes.
Mas, se é sem compromisso e sem custos, tudo bem. Mandem lá essa proposta.
A moça, não pediu um briefing, não quis saber sobre objetivos nem desafios de negócio.
No dia seguinte, às 7 da noite, nova mensagem. “Surgiu-nos muito trabalho e não tenho ainda a proposta pronta. Posso enviá-la até às 23h?”
Uau. Isso é que é. Mas não, eu não tinha tanta pressa. Disse-lhe para ir descansar e que entregasse a proposta quando conseguisse.
E a proposta lá chegou, uns dias depois. Era um site com boa cara, e com mensagens perfeitamente legítimas para uma empresa de comunicação. Só não tinha nada a ver connosco, mas pronto.
O exemplo é caricatural – ainda que tenha acontecido exatamente assim. Mas ilustra bem o que vai acontecer cada vez mais, à medida que mais gente vai descobrindo as possibilidades da IA.
Será que essa empresa de design, obviamente sem grande know-how, consegue vender algum site dessa forma?
Acredito que sim. E acredito que, para quem não tem motivos ou meios para exigir mais, até seja uma ótima notícia. É melhor ter uma presença digital genérica, mas com ar profissional, do que nenhuma, certo?
O receio é a moda pegar mesmo junto de empresas e marcas que têm os recursos, e certamente têm motivos, para exigir mais.
Para que gastar tempo com briefings, reflexões, revisões, quando basta estalar os dedos e o site está pronto? E quem diz o site diz o artigo, o plano editorial, a campanha, a estratégia de negócio, o que se quiser.
E é para amanhã. Quer que lhe mande uma proposta?