22/04/2022
Têxtil - COMO O PORTUGAL VESTE OS FRANCESES
France Info - France Télévisions
Texto do vídeo (traduzido do francês):
"Jornalista (voz off): Made in China. Esse rótulo, todo mundo conhece. No entanto, nesta famosa marca de prêt-à-porter, cada vez mais clientes afirmam evitar roupas feitas na Ásia em favor de países de fabricação menos distantes.
Cliente 1: Quando se trata do Paquistão ou Bangladesh, geralmente começo a estremecer seriamente.
Cliente 2: Em relação à pegada de carbono, finalmente em relação aos países que fazem algumas crianças trabalharem ou não.
Jornalista: As roupas que você tem, podemos ver juntos?
Clientes 3 e 4: Feito em Portugal. Portugal. Ah sim, sim, é verdade que ultimamente tem havido mais Portugal.
Jornalista (voz off): Portugal está de volta ao vento. Como conseguiu competir com os países asiáticos? Para saber, fomos até lá, no norte do país, a uma das maiores fábricas do setor, onde dezenas de trabalhadores confeccionam roupas para grandes marcas, como Zara ou Armani.
Isabel Carneiro, diretora geral da Polopiqué: Nesta unidade, temos cerca de 200 pessoas que estão a trabalhar.
Jornalista (voz off): Se Portugal consegue competir com os têxteis asiáticos, é sobretudo devido aos seus custos de produção.
Jornalista: Posso perguntar seu salário?
Trabalhadora 1: Este é o salário mínimo.
Trabalhadora 2: São 705 euros.
Trabalhadora 3: E acaba de aumentar.
Jornalista (voz off): Com 705 euros por mês, os salários portugueses estão entre os mais baixos da Europa, mas ainda são muito superiores aos da China ou da Índia.
Isabel Carneiro: Por isso é difícil sermos competitivos com estes mercados, por isso apostamos na rapidez e na qualidade.
Jornalista (voz off): Para produzir bem e com rapidez, a fábrica domina todos os elos da cadeia, desde a fabricação do fio até o design dos modelos.
Isabel Carneiro: Esta peça foi desenvolvida pelas equipas de design, o protótipo foi feito ao lado, agora vão fazer as correcções.
Designer: Vamos adicionar dois centímetros aqui e vamos adicionar suporte ali.
Jornalista (voz off): Como resultado, enquanto na Ásia são necessários 6 meses para produzir uma coleção, Portugal oferece uma solução mais eficiente.
Isabel Carneiro: Dependendo do modelo, podemos entregar em 5 ou 6 semanas. Para permanecer no jogo, temos que manter esse dinamismo, essa capacidade de entregar rapidamente.
Jornalista (voz off): Um renascimento para os têxteis portugueses que quase desapareceram na viragem dos anos 2000. Enquanto as fábricas históricas vão à falência esmagadas pela concorrência asiática, Portugal está a mudar de modelo.
José Manuel Lopes Cordeiro, Diretor Científico do Museu Têxtil de Famalicão (Portugal): Na altura foram criadas novas empresas, mais pequenas, mais adaptadas, baseadas no saber fazer tradicional e desde então têm-se mantido firmes e tornaram-se competitivas e exportadoras.
Jornalista (voz off): Por pouco salva, a indústria têxtil portuguesa é hoje uma das mais valorizadas. A Capucine Lombardo trabalha para uma jovem marca francesa de alta qualidade que escolheu Portugal pelas suas condições de trabalho mais respeitosas.
Capucine Lombardo, Gerente de Qualidade da Balzac Paris: É uma camiseta listrada simples e, no final das contas, há muito trabalho por trás dela e é ótimo poder filmar. Então, muitas vezes, mesmo depois, compartilhamos esses vídeos com nossos clientes para poder mostrar como é, porque não sabemver se não veem.
Jornalista (voz off): Poder mostrar as condições de fabricação pode ser um argumento de marketing, mesmo que signifique pagar mais.
Capucine Lombardo: Seremos de facto 5 a 6 vezes mais caros em Portugal.
Jornalista: Vale a pena?
Capucine Lombardo: Vale a pena? Bem, também é uma promessa que fazemos aos nossos clientes, então sim, vale a pena.
Julien Cholin, Correspondente a Guimarães (Portugal): Portugal se torna assim como o Eldorado da moda com as suas condições éticas de trabalho, o seu reconhecido saber-fazer e sobretudo o seu custo de fabrico mais de 2 vezes inferior ao da França, ao Made in France tem dificuldade em competir com o Fabricado em Portugal."
Plusieurs marques françaises de textile ont abandonné les chaînes de confection chinoises pour relocaliser la production au Portugal. La filière, disparue dans les années 2000, décolle à nouveau après avoir changé de modèle.