Providência design

Providência design Laboratório criativo de desenho para a concepção de comunicações, artefactos e dispositivos, notabilizado em museografia.

Design crítico: plataforma interdisciplinar vocacionada à investigação criativa aplicada a projectos de mediação cultural, dirigidos à inovação social com vista ao desenho do futuro. O atelier Providência Design trabalha regularmente em regime de parceria com as empresas de gestão e produção de conteúdos (Cariátides), arquitectura e modelação tridimensional (Miguel Palmeiro), design de interacção

e multimédia (Mário Vairinhos e Mental Factory), prototipagem e construções técnicas (Nuno Costa), equipamentos urbanos (Larus). Entre os seus principais clientes encontra-se actualmente a Associação de Turismo de Lisboa, Banco de Portugal, Niepoort vinhos sa, Grupo Celso Lemos, Grupo Onyria, as Câmaras Municipais de Aveiro, Lousã, Ovar, Paredes, Penafiel, Universidades de Aveiro e Minho, Porto Business School e Santa Casa da Misericórdia. O fundador e director criativo da Providência Design, Francisco Providência, é Professor de Design na Universidade de Aveiro, Investigador associado e co-fundador do ID+ (Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura), membro dos Conselho Geral da UA e do Conselho do Departamento de Comunicação e Arte da UA.

É membro assessor do comité internacional da Bienal Iberoamericana de Design, onde representa Portugal.

É cliente frequente do Restaurante Casa Pêga, em Famalicão e da alfaiataria Saldanha, no Porto.

Rojões do Vouga ao MinhoFrancisco Providência Li a crítica de Fortunato da Câmara ao restaurante “Casa Pêga” em S. Migue...
27/03/2022

Rojões do Vouga ao Minho
Francisco Providência

Li a crítica de Fortunato da Câmara ao restaurante “Casa Pêga” em S. Miguel de Seide (publicado no Expresso em 12 março 2022).

Li, estou de acordo com quase tudo e para meu conforto, decidi não reagir à crítica menos positiva atribuída aos rojões que ali se podem degustar, porque a dificuldade em lá comer sem ter de esperar por mesa, é cada vez maior. Por isso pensei: “bem ditas críticas negativas...”.

Mas porque conheço a casa há mais de 40 anos, devo-lhe a atenção do muito prazer que me tem proporcionado, servindo-me sempre com a mesma qualidade, sem oscilações, nem hesitações e com toda a dedicação; por isso o considero um dos melhores restaurantes que conheço.

Diria que os rojões da Casa Pêga são soberbos, por três razões: são intensos, húmidos e tenros, mostrando a qualidade da matéria prima mas, sobretudo, a lentidão de uma fritura no próprio pingue em fogão a lenha, sem exaltações nem pressas.
É verdade que os rojões poderiam ser servidos acompanhados com o famoso arroz de sarrabulho, como se serve em Ponte de Lima, mas a disponibilidade do prato durante todo o ano e a extensão da lista, não o recomendam. No Inverno (na época em que as matanças do porco se faziam com frio), podem-se comer os rojões antecedidos pelas singulares papas de sarrabulho, volupiamente acetinadas e perfumadas com cominhos. Compreendo a crítica de Fortunato da Câmara sobre o fígado frito, ou o sangue cosido, servidos com franqueza e sem cerimonias. Mas não posso admitir, em abono da verdade e em prol da gastronomia regional, que tenha ignorado as melhores tripas fritas que se podem comer em todo o Minho (ou mesmo em todo o mundo): finas e crocantes que, dando contraste aos rojões, se desfazem na boca, distinguindo-se das triviais tripas vulgarmente servidas duras, elásticas e gordas nos rojões à “moda do Minho”.

Os rojões servidos no norte de Portugal, evoluem de sul para norte, de grandes e rijos nacos lacónicos de porco frito (por vezes integrando as costelas), apenas acompanhados por batata cozida e grelos, a sul do Douro (como por exemplo no Maranata, em Oliveira de Azeméis), para pedaços mais pequenos e húmidos, servidos no exuberante conjunto barroco que se come em Ponte de Lima (como por exemplo no Beco das Selas), evoluindo, quer pela redução de tamanho, quer pelo incremento de tenrura, sabor e acompanhamentos.
Em Famalicão não os acompanham com sarrabulho nem farinhotes (fatias negras de sangue de porco moldado com farinha de milho, fritas no pingue), mas com tripas fritas, castanhas, batatinhas pequenas e deliciosas. A pingo deixa-se na travessa e servem-se com vinho verde, branco ou tinto, mais fresco e adstringente para cortar a gordura.
Valerá a pena voltar à Casa Pêga para rever os seus rojões suculentos, como não se conseguem provar em Ponte de Lima.

PS: Ao Bacalhau à casa, ao cabrito assado, ao arroz do mesmo, ao naco, à língua e aos rojões, acrescentaria a vitela estufada com favas e o peixe fresco da Póvoa de Varzim: a pescada cosida com todos e as marmotas fritas, acompanhadas pelo feijão verde, ou as magníficas saladas de tomada “coração de boi“, maduro e da casa, temperadas com azeite virgem e vinagre tinto, que aparecem na mesa de maio a outubro.
Nas sobremesas acrescentaria à Mousse de ananás e ao Pavé de café o pudim Abade de Priscos e, no Verão, o supimpa melão picante e refrescante casca de carvalho.

Créditos fotográficos: http://www.portoenorte.pt/pt/onde-comer/restaurante-casa-pega/

21/03/2022
“Encontro da Indústria com o Design”24 março 2022 | 10h00 | Sala dos Atos Académicos | Reitoria da Universidade de Aveir...
19/03/2022

“Encontro da Indústria com o Design”

24 março 2022 | 10h00 | Sala dos Atos Académicos | Reitoria da Universidade de Aveiro



No âmbito da exposição internacional de Design "From Spain With Design” e assinalando os 25 anos de ensino de Design na Universidade de Aveiro (UA), está agendada para 24 de março de 2022, o “Encontro da Indústria com o Design”.

A sessão, que terá a intervenção de representantes de um grupo de empresas de setores de atividade diversificados concentrados na região de Aveiro, constituirá um momento de partilha sobre o impacto do Design nas organizações, a partir de projetos inovadores que têm contribuído para a internacionalização e crescimento destas empresas.

Haverá ainda oportunidade para reflexão e debate em torno das experiências de Gestão do Design ao serviço da conceção de bens transacionáveis, e enquadramento do Ecossistema de Design português para a Inovação.

Na mesma sessão será apresentado o livro “25 formas / 25 anos de pensamento em Design na Universidade de Aveiro”, coletânea que mostra a mundividência do Design na UA, a partir de 25 ensaios críticos de docentes e investigadores, sobre 25 das peças integradas na exposição "From Spain with Design. Sendo uma atividade paralela à exposição “From Spain With Design”, é organizada e dinamizada pelo grupo MADE.PT do ID+, Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura, com o apoio da UA.

A exposição "From Spain with Design", uma iniciativa da READ - red española de asociaciones de diseño, comissariada em Portugal pelo ID+, mantém-se patente ao público no átrio e hall de exposições do Edifício Central e da Reitoria até ao dia 30 de março de 2022, das 09h00 às 20h00 (encerra ao domingo).



Mais informações em:

Vídeo de apresentação da exposição: https://youtu.be/ZDnxCxm1DDA

Instagram: https://www.instagram.com/fswdaveiro/

FROM SPAIN WITH DESIGNexposição de design | átrio da Reitoria da Universidade de Aveiro21 fevereiro a 30 março 2022.A mo...
21/02/2022

FROM SPAIN WITH DESIGN

exposição de design | átrio da Reitoria da Universidade de Aveiro

21 fevereiro a 30 março 2022.

A mostra de design FROM SPAIN WITH DESIGN, reúne artefactos desenhados por 120 empresas espanholas, selecionados pela READ red española de asociaciones de diseño, que os agrupou em 5 núcleos temáticos da Internacionalização, Identidade territorial, Interceções, Cumplicidades e Sustentabilidade. O título em inglês indicia a intenção dos organizadores, quer de adesão exportadora à globalização, quer do reconhecimento internacional pela especificidade da sua oferta. O design espanhol, de mãos dadas com a indústria, tem atribuído mais valor aos bens transacionáveis em Espanha, mas também no estrangeiro. O diversificado e qualificado acervo de peças desenhadas aqui convocadas, não se esgota nos propósitos económicos, respondendo também a questões sociais e culturais, denotando uma elevada integração do Design na vida da Espanha, que se reflete desde logo nas 12 Associações de Design aqui representadas.

A READ quis dar-nos uma imagem crítica e não apenas criativa do Design Espanhol, também ela compreendida como identidade e vontade de poder da marca “from Spain”, construída ao longo de muitos anos pelos desenhadores das cores da bandeira plasmadas na Repsol, no perfil negro do touro Osborne, na escultura cabeça de touro de Picasso, mas também no caracol negro sobre a testa da cigana Carmencita, há mais de 100 anos a emprestar cor e sabor à gastronomia espanhola; a exposição mostra-nos, no entanto, que o Design espanhol não se esgota no salero do tablado andaluz, também se manifestando criticamente feminista, ambientalista e anticolonialista, empenhado na revisão dos estereótipos pandémicos de resistência a uma sociedade mais livre e responsável. Uma Espanha que bate o pé, com “sapatos de carácter”, onde se encontram e fundem todos os opostos, visigodos e ciganos, catedrais e mesquitas, uma Espanha de Reis e de Anarquistas, católica e comunista, que encerra em si a contradição da multiplicidade, contribuindo com sofisticação tecnológica, para uma Europa mais prospera, mas fazendo-o com o valor acrescentado da poesia que o seu desenho transporta, fazendo-o ultrapassa todas as fronteiras, para poder resignificar todos os territórios.

Apesar da sentença popular, de Espanha vêm bons exemplos e quem sabe, também bons casamentos. É pois com a intensão de aproximar a indústria do Design, a universidade da sociedade e Portugal de Espanha, que a Universidade de Aveiro aceitou receber em Aveiro a exposição From Spain With Design, sabendo do potencial do seu impacto num dos distritos de maior concentração empresarial.


Comissariado

Uqui Permui (DAG),

Ángel Martínez (ADCV),�

Gloria Escribano (DIMAD) e

Juan Lázaro (Cuenca Diseño)



Comissário Aveiro

Francisco Providência



Projeto expositivo

Enorme Studio

Coordenação FSWD Aveiro

Francisco Providência

Margarida Almeida



Adaptação do projeto expositivo

Eduardo Noronha



Adaptação de conteúdos

Lígia Afreixo

Marlene Ribeiro



Assessoria digital

Fernando Sousa

Ivo Fonseca



Instalação e montagem

Cartaz Favorito

DAEXGA - Servicios Integrales de Galicia

ID+ Instituto de Investigação em design, media e cultura



Divulgação

Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas da Universidade de Aveiro



Organização

READ red española de asociaciones de diseño

ID+ Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura

UA Universidade de Aveiro



Financiamento

Gobierno de España, Ministerio de Cultura y Deporte

Xunta de Galicia

Xacobeo 21.22

Universidade de Aveiro

ID+ Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura






















Participação

Alba Rodríguez

Abad

Alegre Design

Alejandro González

Álvaro Valiño

Amalia Puga

Ana Vidal Ruiz de Velasco

Ángela Moya

Angélica Barco Studio

Aníbal Hernández de la Fuente

Anna & Eugeni Bach

Apéritif Studio (Marga Castaño)

Apitropik

Arauna Studio / Rai Pinto Studio

Artsolut Estudio

Arturo Álvarez

Asier Iturralde

Autofabricantes / Centro Celeo

BIGD Design that Matters

Boke Bazán

Brezo Rubín

Carlos Lorenzo

Cenlitrosmetrocadrado

Clavel Arquitectos

Cosca

Cookplay

Cristina Daura

David Criado

David Gil

Democràcia estudi

Desescribir

Desoños

DIARADESIGN

Dídac Ballester

Diego Mir y Fase Studio

Ekinoccio (Irene García / Raquel Boo)

Elsa Yranzo & Sebastian Alberdi Era

Comunicación

Estrada Design

Estudio Menta

Estudio Paparajote

Estudio Pep Carpió

Estudio Vilablanch

Eugeni Quitllet

Fíos

Folch | White Horse

Gallega Design Studio

Gallén+Ibáñez&Co

Gimeno Gràfic

Goyo Rodríguez

Granada Barrero + LEBLUME Grande

Guillotina Estudio

Héctor Serrano, Raky Martínez, Alberto Martínez

Ibán Ramón Rodríguez

Idoia Cuesta

Inma Bermúdez

Irene Blasco

Ironeva (Irene Romero Nevado)

Isidro Ferrer

Izaskun Chinchilla

Javier Jaén

Joanrojeski estudi creatiu

Jorge Díaz

Jorge Martínez

Josep Gil

Juan Lázaro García Karramarro (Diego Sanz)

K**e Correcher

La Casa de Carlota & Friends

La madre de los Beatles

Lagranja Design

Lavernia & Cienfuegos

LEBLUME

LZF lamps

Made Studio

Madrid In Love Studio

Mais Types. Marcos Dopico

Marta Pérez Martínez

Martín Azúa

Masquespacio

Mayice Studio

Mercedes de Bellard Meteorito

Moneo Brock

Mormedi

MUT Design

Muka Design Lab

NM type

Nomad Garden & Antropoloops & Datrik intelligence

Noviembre Estudio

Numax

Odosdesign

Pancho Lapeña

Parra-Müller

Patricia Urquiola

Pedro Luis Alba

Pepe Barro

Quartada

Q**m Marin Studio + Stupendous Studio

Rafa Monge Design

Ricardo Alcaide

ROJOmandarina

Rosana Monrós de Locandia Estudio

Rubio & del Amo

Selegna Design

Silvia Ceñal

Stone Designs

Studio Ingrid Picanyol

Think diseño

Tíscar Design

Tobal Sánchez

Tomás Alonso Studio

Typerepublic

Un Mundo Feliz

Uqui Permui

Vanessa Peleteiro

Vicent Martínez Disseny

Vicent Ramón

Ximo Roca Diseño

Xosé Teiga

Yinsen (Lorena Sayavera, María Pradera)

Zooco Estudio





Ver em https://fswd.es/en/ e https://fswd.es

Lançamento do livro “IMPRESSÕES”Teatro Nacional de São João | 22 janeiro 2022, sábado, 16:00h Boa tarde.Obrigado por est...
22/01/2022

Lançamento do livro “IMPRESSÕES”
Teatro Nacional de São João | 22 janeiro 2022, sábado, 16:00h

Boa tarde.
Obrigado por estes cinco minutos de glória que aproveito para agradecer...

Agradeço ao Teatro S. João, e particularmente à sua administração representada pelo Pedro Sobrado, sem esquecer o cuidador João Luís Pereira, a gentileza para com a História e Cultura do Design, de que a Maria Ferrand e os Sal design são um relevante testemunho.
É raro observar esse respeito institucional pelo desenho, ainda que Design e Designers sejam um elo importante, se não mesmo insuperável, na comunicação que se gera entre produtores e consumidores de cultura.

O livro “Impressão”, de Maria Ferrand e João Tuna, 5º caderno publicado nas comemorações do centenário, ensaia um texto impressivo, sobre a identidade visual do Teatro São João, que se terá imprimido para memória futura.
Se o reconheço como um contributo para a História do Design no Porto, escrevi-o a observar a Poesia visual das produções gráficas do São João nos seus últimos 30 anos, e sobretudo as desenhadas pelo Sal nos últimos dois.

Esta obra reconcilia, por isso, o discurso e a prática do design, aproximando a História do design à Poesia do design, o que me convoca a distinção ontológica de Aristóteles entre historiador e poeta: “um narra o que aconteceu, o outro aquilo que poderia ter acontecido". E ao dizer “aquilo que poderia ter acontecido”, talvez se pudesse mesmo inferir “aquilo que desejou acontecesse”. Julgo que essa é a vocação do Design: reconstruir a História através das formas que desenha.

Nestas circunstâncias, cabe-me a mim a escrita e à Maria o desenho, ainda que o texto seja inapto para enunciar a poesia, como referia Laurie Anderson a propósito da música: “Escrever sobre música é como dançar sobre arquitetura”.

Também sobre o design se reconhece uma inadequação entre o falar e o desenhar, entre a sonoridade da discussão e o silêncio da leitura, entre a verbalidade do discurso e o desenho das formas. Entre o conteúdo e a forma, onde paradoxalmente e segundo Adorno, reside o seu conteúdo de verdade.

Gostaria pois de elogiar, em nome da História do Design, o livro “Impressão”, o design da Maria Ferrand e a fotografia de João Tuna, mas sobretudo, e porque o poeta tem a liberdade criativa da ficção, ao contrário do historiador condenado ao rigor da verdade, desejar que a Maria continue como a Laurie a poder dizer:
"Toda a minha vida foi fazer coisas com beleza e sentido, ou melhor, “...foi atribuir sentido e beleza às coisas”.

Obrigado

PEPE GIMENO, designerImprenta Municipal de Madrid, 2021 PEPE GIMENO (CRESPO), (Valencia 1951), é um designer gráfico e t...
26/12/2021

PEPE GIMENO, designer
Imprenta Municipal de Madrid, 2021

PEPE GIMENO (CRESPO), (Valencia 1951), é um designer gráfico e tipográfico espanhol, que dirige o estúdio valenciano "Pepe Gimeno - Projeto Gráfico" — https://www.gimenografic.com/en/about — e que me foi apresentado pela minha amiga, investigadora e designer Anna Calvera (1955-2018) em 2001, como exemplo de um designer investigador através do projeto. Pepe Gimeno foi autor da identidade visual da Presidência Espanhola na União Europeia (2002) e da fonte tipográfica "FF Pepe", tendo sido distinguido com o Prémio Nacional de Design de Espanha (2020). Trabalha tradicionalmente com as organizações Roca, Lladró ou BancajaFoundation, e tem trabalhos nas coleções IVAM e na Merrill C. Berman (Nova York).

A exposição "Gráfica Reciente", desenhada pelo Designer Manuel Estrada e apresentada pela “Madrid Gráfica” — http://madridgrafica.org —, na Imprenta Municipal de Madrid, reuniu trabalhos de Gimeno, dos anos 80 até ao presente.

Tratando o design gráfico como poesia visual, Gimeno alia o domínio do desenho à inteligência interpretativa das suas metáforas, conciliando a modernidade do design institucional de Pepe Cruz Novillo, com a cor vibrante e mediterrânea de Javier Mariscal. Mas talvez o mais original contributo do seu trabalho para a cultura do design esteja nas montagens gráficas que faz com detritos recolhidos nos seus passeios pela praia (fragmentos de plástico e plantas), usados como carateres compostos numa sintaxe moderna, desprovendo o design das suas circunstâncias funcionais para lhe atribuir um carácter meramente estético, isto é, assumindo pela forma todo o seu conteúdo, porque “a forma é o conteúdo de verdade das obras de arte” (T. Adorno).

D.42: tradições não se criam por decretoFaleceu no passado dia 9 de novembro, com 88 anos, o doutor João da Providência ...
12/11/2021

D.42: tradições não se criam por decreto

Faleceu no passado dia 9 de novembro, com 88 anos, o doutor João da Providência Santarém e Costa, professor catedrático na Universidade de Coimbra e investigador de física teórica na área de hadrões e interações fundamentais — “uma lenda do professorado de Coimbra”, lê-se no Público (por Teresa Firmino). Doutorado em física na Universidade de Birmingham em 1959 (e um ano depois em físico-química em Coimbra), foi professor catedrático e autor de física teórica, internacionalmente reconhecido. Ocupava o gabinete D.42 no departamento de Física.

João da Providência (1933-2021), autor de mais de 400 artigos científicos de física e matemática, publicou até ao fim da sua vida (2021). Interessado pela constituição da matéria, pelos hadrões, partículas subatómicas compostas sob estado de ligação por quarks (protões ou neutrões), as mais pequenas formas imaginadas da matéria, a essência do mundo conhecido, a mediação das interações fundamentais apenas percebidas por calculo. Mas questionado sobre o que responde a Física à pergunta sobre “quem somos e para onde vamos?”, esclarece desde logo que a questão (filosófica) transcende os limites da ciência, disponibilizando-o a outras dimensões.

No funeral, fez elogio fúnebre o seu colega e antigo aluno Carlos Fiolhais. Fiolhais referiu a grande diversidade de interesses do professor e o impacto que a sua notoriedade internacional teve junto dos estudantes de Coimbra, abrindo-lhes portas a ligações internacionais. Na genealogia do seu conhecimento construído a partir de Inglaterra, chegamos a Heisenberg, criador da mecânica quântica e professor do seu orientador Rudolph Peierls (professor refugiado da Alemanha), tendo sido colega, em Birmingham, de alguns dos mais relevantes físicos do séc. XX, com quem continuou a publicar.

Para dar uma nota mais pessoal do colega, Carlos Fiolhais cita uma história publicada no livro de memórias de Rudolph Peierls[1], que caraterizava uma particularidade do casal Providência[2] (João e Constança) e talvez dos Providências em geral: “(...o que) parecia ser o padrão geral dos Providências — as crises eram sempre resolvidas no último momento. Tínhamos quase a certeza de que tinham um anjo da guarda especial”. Segundo Fiolhais, João da Providência viveu para a Academia e dormia com a física. Também não tenho dúvida disso, ao ver a singularidade do seu currículo, perguntando-me também eu, para “quem” tenho vivido, já que para a Academia não parece ser. Para o design? Para a beleza? Para mim próprio, para os outros, ou para a vida? Laborit denuncia no filme de Resnais (Mon oncle d’Amérique, 1983), que a razão de viver dos seres vivos é a própria vida. Não há outra razão maior. Essa seria também a razão de tanta dedicação do meu Tio: estar vivo, ser vivo.

João da Providência era filho de outro João da Providência e Costa (1893-1965), também académico mas das letras, filólogo, amante da língua alemã, doutorado sob supervisão científica de Carolina Michaelis, passou pela Universidade de Columbia (1922) e lecionou em Berlin (1922-1926), tendo criado os cursos de verão na faculdade de letras que, salvo erro, ainda hoje se realizam. João da Providência e Costa teve com Stella Santarém (1901-1979) cinco filhos: João, Estela, Francisco, Joana e Luísa. Há um segundo ramo de Providências em Coimbra; os que descendem do Luís da Providência (1911-1996), médico cardiologista e irmão mais novo do João da Providência, e um terceiro ramo em Lisboa, descendente de Adozindo da Providência (1897-1972), o segundo irmão de João da Providência, que foi médico em Monção.

João da Providência, o físico, teve com Constança Pinheiro seis filhos: João, Constança, Luís, Paulo, Clara e Pedro, de quem sou primo.


Entrevista para a Sociedade Portuguesa de Física, 2019.

https://www.youtube.com/watch?v=GclPHHD4rJ8

Artigo do Público, 2021.

https://www.publico.pt/2021/11/10/ciencia/noticia/morreu-fisico-joao-providencia-lenda-professorado-coimbra-1984462

INISTÉRIO DA CULTURA ATRIBUI MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL A LUÍS FERREIRA ALVES NA CASA DA ARQUITECTURAO Ministério da Cul...
01/11/2021

INISTÉRIO DA CULTURA ATRIBUI MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL A LUÍS FERREIRA ALVES NA CASA DA ARQUITECTURA

O Ministério da Cultura vai atribuir a Medalha de Mérito Cultural ao fotógrafo Luís Ferreira Alves numa cerimónia que vai decorrer no próximo dia 31 de outubro na Casa da Arquitectura. Atribui a medalha na ocasião a Ministra da Cultura, Graça Fonseca. A cerimónia é reservada e não é aberta ao público.

A Medalha de Mérito Cultural é uma distinção criada pelo Ministério da Cultura para distinguir pessoas singulares ou coletivas, nacionais ou estrangeiras, pela sua dedicação ao longo do tempo a atividades de ação ou divulgação cultural.

Luis Ferreira Alves nasceu em Valadares, V. N. Gaia, em 1938. Secionista ativo do Cineclube do Porto, nos idos de 50, cofundador da Secção de Formato Reduzido e Cinema Experimental, fez parte da equipa que realizou o documentário “Auto da Floripes”. Em 1962 foi preso pela PIDE e julgado no Tribunal Plenário do Porto, tendo sido compulsivamente afastado do Banco Ferreira Alves & Pinto Leite onde até então trabalhava junto de seu pai. Exerceu então variadíssimas atividades comerciais que lhe deixaram pouco tempo para os seus projetos pessoais.

No início dos anos 80 retomou, como amador, intensa atividade fotográfica, sendo de registar a exposição em colaboração com Gabriela Ribeiro sobre o teatro independente “Fotografia de Cena” na Árvore onde também expôs mais tarde uma grande série de imagens subordinados ao tema da destruição urbana da cidade do Porto – “Em busca da cor perdida”. Em 1983 e como consequência dessa atividade foi convidado pelo seu amigo arquiteto Pedro Ramalho a apresentar num seminário da Escola Superior de Belas Artes do Porto um diaporama sobre a sua obra arquitetónica; foi esse o ponto de partida para a sua atividade como fotógrafo profissional. Especializou-se na fotografia de arquitetura, património e território sendo publicado regularmente em revistas de todo o mundo. Colabora intimamente com arquitetos da chamada Escola do Porto nomeadamente Eduardo Souto Moura cuja obra tem sistematicamente acompanhado.

Realizador de vídeos de arquitetura e culturais, tem dezenas de livros editados e realizado inúmeras exposições, algumas delas em coautoria, dentro e fora do país. Na sua mais recente atividade profissional destacam-se:

em 2016, editou um livro intitulado “Luis Ferreira Alves: Fotografias em Obras de Eduardo Souto de Moura” que ilustra trintas anos de colaboração.
em 2017, publicou em parceria com o arquiteto Álvaro Siza um livro sobre a Casa Beires quarenta anos depois da sua construção;
em 2018, a Câmara Municipal de Matosinhos, editou o livro e promoveu a exposição “Real Vinícola Uma Reconversão” com curadoria do arquiteto Guilherme Machado Vaz;
em 2020, edita o livro “Peroguarda 58/59 Alentejo” com fotografias e o testemunho de uma fascinante experiência da sua juventude.
em 2021, após o Covid ’19, apresenta a exposição homónima na Casa da Arquitectura.
Trabalhou intensamente até 2020.

Distinções:
Em 2011, o Clube de Vela Atlântico institui o Troféu Luis Ferreira Alves em sua homenagem;
Em 8 de outubro de 2013, foi-lhe atribuído o título de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos;
Em 9 de julho de 2015, foi agraciado pela Câmara Municipal do Porto com a Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro.

MUSEUS HOJE: DIGITALIZAÇÃO, SUSTENTABILIDADE E INCLUSÃOOrdem dos Arquitectos Secção Regional do Norte - OASRN  Mesa redo...
29/10/2021

MUSEUS HOJE: DIGITALIZAÇÃO, SUSTENTABILIDADE E INCLUSÃO

Ordem dos Arquitectos Secção Regional do Norte - OASRN

Mesa redonda https://www.youtube.com/watch?v=cf0-L38UnFM
Porto | 27 outubro 2021 | 18:00h

Carlos Guimarães
Francisco Providência
Laura Castro
Luís Pereira
+
Gabriel Andrade (moderador)

Apresentação: Durante o período pandémico, a visita virtual e a exposição online surgiram como modos alternativos de experiência do espaço museológico. A aceleração no surgimento de modos virtuais de disponibilização de conteúdos, bem como a crescente preponderância dos tópicos da sustentabilidade e inclusão social, são mote para um debate em torno do projeto e planeamento dos espaços museológicos.




“O vestígio é a manifestação de uma proximidade, por mais longe que possa estar o ser que a deixou. A aura é a manifestação de uma lonjura, por mais próximo que possa estar aquilo que evoca. Com o vestígio apoderamo-nos das coisas; com a aura é ela que é senhora de nós.”
W. Benjamin, Paris Capitale du XIXe siècle. Le livre des passages. Paris, Cerf, 1989.




Ambivalência: narrativa, revelação e criação
Francisco Providência

1. A perda de aura na era da reprodutibilidade técnica (W. Benjamin) diz-nos que o objeto artístico perde a sua "unicidade", "singularidade" e "autenticidade" pela sua reprodução técnica, ao deixar de ser único, assim perdendo a sua sacralidade ou valor de culto. A obra de arte deixou de ser a experiência única, do “aqui e agora”, para se constituir como imagem (a 2 ou 3D), desmaterializada e desritualizada, consumida entre uma miríade de outras imagens circulantes na web e redes sociais (estratégia da economia da atenção).

2. A trivialização das imagens técnicas circulantes, “elogio da superficialidade” (Vilém Flusser), é consequência da Fotografia, enquanto modelador civilizacional, coisificando o Homem que, perdendo a sua individualidade, passou a comportar-se por imitação dessa representação — passando de individuo a divíduo (Gunther Anders), efemeramente construído por pedaços de imagens.

3. No entanto, há uma promessa da acessibilidade social (segundo Flusser), no universo das representações computadas, criando “um mundo de sonhos cujos sonhadores se encontrarão totalmente despertos, operando as imagens a partir do inconsciente, refletindo os sonhos de uma consciência super-disperta”, assim nos advertindo para o novo potencial criativo e estético, acessível a todos (ou quase todos), indiscutível quando visitamos plataformas como a Behance ou o Pinterest.
No entanto, a falta de capacidade crítica poderá contribuir para a replicação e repetição das grandes fontes difusoras, assim comprometendo a liberdade pela dominação intelectual que se traduz numa nova forma de repressão social, subvertendo a promessa democrática que parecia indiciar.

4. O papel social dos museus físicos, entre narrativa revelação e criação, tem ocupado o espaço do sagrado nas sociedades seculares, promovendo um conhecimento cultural alternativo. A museografia apresentava-se sob as condições de narrar e revelar, mas hoje urge tornarem-se espaços criativos (Inês Ferreira):

narra o espaço indutor de articulação de conteúdos pelo visitante;
revela no visitante a compreensão da essência desses conteúdos;
cria com o visitante novas visões do mundo.

O fator indutivo do espaço (narrativo) dependerá da sua conformação.
O fator dedutivo do visitante (revelador) dependerá da sua formação.
O fator abdutivo da experiência (inovador) dependerá da liberdade, inclusão e criatividade do ambiente.

5. A forma (do museu e da museografia) como conteúdo de verdade, deverá ser entendida como intenção, como narrativa retórica, como concretização filosófica e não apenas como apoio técnico (estético?) à exposição. Todos os museus são narrativas em torno de objetos mudos e, por isso, a necessidade da “conformação” pelo Design da museografia (em representação dos públicos), decisão naturalmente partilhada com o diretor (em representação da tutela) e os investigadores (em representação do conhecimento).

6. A digitalização da forma dos museus, consequente às atuais condições ambientais (descarburização) e sanitárias (isolamento), reuniram condições para a digitalização do trabalho, do ensino, do comércio e também da cultura, ensaiando a transferência de inúmeros museus para o regime virtual.
Ao perder a singularidade real dos museus, abriu-se a sua oportunidade à divulgação digital massificada.

7. Pela digitalização, assiste-se ao movimento de transferência da sagração dos objetos, para a consagração dos sujeitos. Talvez a função social mais relevante do museu não seja proporcionar a fruição de uma experiência de conhecimento (ou beleza) conservando os objetos e a estabilidade dos significados, mas o questionamento da realidade de modo a abrir novas portas interpretativas, contribuindo para a “revelação” de novas ideias e, consequentemente, novas possibilidades de conhecimento (e de beleza).
O museu tinha a ambição de facultar a experiência do sagrado à comunidade, mas a comunidade prefere hoje autoeleger-se como sagrado, musealizando a sua própria experiência existencial que publica no facebook e no instagram.

8. A urgência cultural do museu renasce pela massificação tecnológica, pela necessidade emergente de oferecer ao cidadão um lugar para se distanciar de si mesmo, para que possa encontrar um conhecimento que transcenda a trivialidade, induzindo práticas de melhor questionamento do mundo e melhor questionamento de si mesmo.
Ao pensar no imperativo da sustentabilidade — da sustentabilidade ambiental, económica e energética —, não poderemos deixar de admirar as maravilhas da técnica, não deixando de observar, também, a insustentabilidade social e cultural que ela tem acarretado.

Créditos fotográficos: British Museum, publicada in https://www.jpn.up.pt/2020/05/18/nos-museus-o-passado-reimagina-se-com-o-digital-do-futuro/

Reabertura do Teatro Nacional São JoãoExposição 10 atos / 100 anos Salão Nobre do Teatro São João22 outubro 2021 - 27 ma...
24/10/2021

Reabertura do Teatro Nacional São João
Exposição 10 atos / 100 anos

Salão Nobre do Teatro São João
22 outubro 2021 - 27 março 2022

Design: Francisco Providência
Curadoria: Gabriela Casella
Investigação: Mª João Pereira
Apoio documental: Paula Braga
Produção: Catarina Providência
Organização: Teatro Nacional São João

O papel do tempo, serpenteado ao longo de 100 anos, esconde nas suas dez dobras atos episódicos que propusemos celebrar, aqui invocados por testemunhos, desenhos, maquetas, discos, cartazes, publicações e figurinos.

O incêndio do antigo edifício e a nova arquitetura monumental de Marques da Silva (1920), a assunção cultural privada do Teatro e a estreia da sua programação com “Zilda” (1920), a adoção de meios para que possa acolher cinema comercial (1932), o anúncio do fim da 2ª guerra mundial durante a exibição do filme “Um raio de luz”, a ligação ao Orpheon Portuense para oferta cultural internacional de concertos de música (1951), palco de teatro experimental e mobilização social, recebe o poema dramático “morte e vida severina”, representado por grupo universitário de teatro brasileiro (1966), a aquisição do edifício pelo Estado Português e respetivo restauro pelo Arq. João Carreira (1992), a nomeação de Ricardo Pais como diretor artístico e criação de um público novo e alargado (1995), o festival Ponti e a internacionalização do S. João (2004), terminando com “Castro”, a tragédia de Inês e Pedro apresentada em 1920, que regressa clássica em 2020, porque “nunca acaba de dizer o tem para dizer”.

A exposição, construída em “feltro” branco, propõem-se acolher a História e o público com o conforto de um abraço, sem resistências nem traumas.

Uma serpente de feltro, aprisionada na sumptuário monumental do edifício beaux-arts, expõe num certo “brutalismo” o imperativo da sustentabilidade, anunciando a novidade de uma linguagem lacónica e povera, com que a exposição narra o passado e revela o futuro. O rigor da exibição já não é aferido pelo domínio técnico dos materiais, mas pelo rigor metafórico da sua oportunidade cultural.

https://www.publico.pt/2021/10/21/culturaipsilon/noticia/teatro-sao-joao-regressa-passado-futuro-varios-actos-1981853

Endereço

Rua Do Bicalho, 127
Porto
4150-139

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:30 - 19:00
Terça-feira 09:30 - 19:00
Quarta-feira 09:30 - 19:00
Quinta-feira 09:30 - 19:00
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