31/05/2026
esta série é uma das minhas favoritas de todos os casamentos que fotografei.
talvez porque contem uma história que nos leva até à infância.
a Mariana, a noiva, quis vestir-se na casa da avó onde nos disse que cresceu. quando chegamos a ainda estava a terminar a maquilhagem não a apressarmos, perguntamos: "podemos ir ver a casa e começar a fotografar os detalhes?" prontamente a mariana nos disse que sim, para estarmos à vontade.
começamos pelos quartos. abri todas as persianas dos da frente, mas não encontrávamos o espaço perfeito nem a luz que queríamos. até chegarmos à cozinha... além de uma área maior enamoramo-nos por ser um fogão a lenha, a uso, não decorativo.
a mana disse-me: "acho que aqui ia f**ar giro" ao qual lhe respondi, tem mesmo que que ser aqui porque já estou a imaginar tudo. pedi autorização à avó rosa e comecei a "(desa)arrumar-lhe a cozinha".
peguei no fervedor do leite para colocar os brincos, na caneca de ferver a água para colocar o ramo, puxei a lenha para a frente, empurrei-lhe a mesa para o lado, trouxe os utensílio metálicos, o pano de linho, e mantive o pano das mãos que tanto me lembrou Refoios (terra dos meus avós paternos) e outras casas de fogão a Lenha... e ali, com todos a assistir montamos o cenário perfeito. a luz era pouca e incandescente, mas o ISO existe para estas ocasiões.
a mariana não sabia de nada, confiou-nos tudo.
naquele momento senti-me tão realizada que só que no coração f**a um aperto.
depois chegou a hora de fotografar a mariana, que na verdade estava fora de horas o que dificultou arrancar-lhe um sorriso, mas lá conseguimos, "precisamos mesmo do banco?" - disse ela. ao qual respondi "precisamos sim", faz parte da história e agora do cenário.
não sei quanto a vocês, mas eu demorei anos a entender que mais que uma fotógrafa mora em mim uma diretora criativa que é nos momentos de maior dificuldade que se reinventa. deem-nos uma história de amor, nós tratamos do resto. ❤️
ps.: a mariana chamou-nos de "anjinhos faz-tudo, incluindo dar apoio emocional!" 🥹