06/13/2026
Mudar de canal não resolve quando o ecossistema de transmissão está quebrado.
Decidi assistir à Copa em canais brasileiros. A Fox Sports americana é sem sal e a Telemundo é o que mais se aproxima do nosso ritmo. Mas o choque real veio quando olhei para a tela de casa.
A falta de diversidade e de profissionalismo na nossa mídia grita.
Globo e CazéTV ignoram rostos pretos e amarelos na linha de frente. Parece que essa parcela da população simplesmente não existe no Brasil.
Para piorar, a falta de respeito virou “resenha”. Ver locutores fazendo piadinha com nomes de jogadores asiáticos é patético. Nossa cultura não dá o direito de ridicularizar o resto do mundo.
No streaming, o preço do sucesso é o jornalismo raso, comentários machistas e a apresentadora nitidamente desconfortável, sem espaço para reagir.
A mídia tradicional não escapa. Na GE TV, ver uma repórter soltar um “vá a merda” ao vivo mostra o nível. “Sacanagem”, “porra”, “nem fudendo”... Isso não é ser popular. É ignorar que famílias e crianças estão assistindo.
Existe um consenso preguiçoso de que, para falar com o Brasil, o conteúdo precisa ser vulgar e padronizado por baixo.
Há anos torço para países da Ásia e da África. Pelo ritmo das coisas, sinto que em breve os EUA serão campeões mundiais. Sabe por quê? Organização, estrutura e profissionalismo.
Engajamento em cima de preconceito e palavreado chulo é o caminho mais fácil.
Se você constrói produtos ou conteúdos, o framework precisa mudar:
1. Espelhamento: Seu painel reflete a demografia real ou só a bolha do escritório?
2. Respeito: Audiência barata por polêmica destrói o patrimônio da marca a longo prazo.
3. Popular ≠ Vulgar: Dá para ser vibrante sem apelar para o menor denominador comum.
O primeiro passo para um mercado equilibrado é parar de normalizar o que já deveria ter ficado no passado.
Boa sorte, Brasil. Vai precisar.