12/06/2026
Muito antes de saber que queria fazer carreira na ilustração, acreditei que a minha realização profissional radicaria em pleno nas artes plásticas.
Desde miúda, estudante de Escultura nas Belas-Artes que sinto que há uma mão cheia de artistas cuja obra me comove, inspira e desconcerta.
Henri Matisse, Frida Kahlo, Edward Hopper, Louise Bourgeois e David Hockney.
O benefício da passagem do tempo é a perspectiva. Consigo agora descortinar, com acuidade, o fio condutor do sentido que a arte sempre trouxe à minha vida.
À expressão de uma vida interior rica e plena de subjetividade, resultado de um ponto de vista pessoal e muito particular sobre o mundo. Que o reconfigura quando se manifesta exteriormente – adquirindo uma dimensão mais verdadeira do que a própria realidade.
Apropriando-me das palavras celebrizadas por Isaac Newton (também roubadas a um seu antecessor) “Vemos mais longe quando estamos aos ombros de gigantes”.
E David Hockney era um dos grandes.
Um desses gigantes que consegue aproximar-nos mais da verdade, por via da sua pintura, do que a ação os nossos cinco sentidos combinados.
Qual demiurgo que nos incita a dirigir o olhar para lá da platónica caverna, Hockney leva-nos a descobrir que do lado de fora existem todas as cores do mundo. Das mais pálidas e tímidas às mais feéricas e agressivas.
Pela sua experta mão encontrou forma de emprestar-lhes o significado de existência, revelando-a.
A notícia da sua morte é uma enorme perda.
Tenho – nesta fase da minha vida – vindo a refletir sobre o poder extraordinário que a obra de grandes artistas tem de perdurar e manter viva a memória dos seus criadores muito para além da sua vida terrena.
Conforta-me pensar que essa centelha continuará a inspirar décadas e gerações de criadores.
Memória é, também, celebração.
Viva David Hockney!