08/04/2020
Partiu o Senhor Niso, e todos ficámos mais pobres.
Carlos Dionísio Leitão dos Santos nasceu na Praia das Maçãs, a 3 de Março de 1946. Filho do saudoso Zé da Felícia, um dos primeiros “banheiros” do mar da nossa terra. Ao longo do último século, as estórias da sua família fazem parte da história da Praia das Maçãs como aldeia e comunidade.
Foi um Homem do Mundo!
Fez carreira no ramo da hotelaria e turismo. De Londres, para onde rumou em 1965, Nova York ou Caracas, foram locais por onde passou ao longo da sua formação académica. Na Suíça, em Inglaterra e no Brasil, foi gestor de vários hotéis da cadeia Hilton numa carreia que se avizinhava promissora.
No meio de todo este percurso, ainda foi à guerra em Angola durante os anos que antecederam ao 25 de Abril.
Voltou à terra que o viu nascer, a definitivo, em 1987 por iniciativa da mulher, a simpática D. Penny, que se apaixonou pelos encantos e recantos de Sintra, e que nos últimos anos os tem pintado a óleo sobre tela.
Sobre a máxima de “o bom filho à casa torna”, foi durante anos, e até se ter reformado, a primeira cara do concelho a quem os turistas recorriam a pedir informações depois de desembarcarem na estação de comboios da Estefânia. Com a sua sabedoria local, e o facto de falar 8 línguas, cativou e surpreendeu pessoas dos quatro cantos do mundo. O seu lado amigável, respeitador e carismático apaixonou a comunidade local, que muito com ele privou em longos serões durante muitos anos.
Fizesse chuva, vento, ou mesmo nas raríssimas noites quentes da aldeia mais ocidental do continente europeu, o Senhor Niso a saborear a sua cervejinha, era uma presença habitual 365 dias por ano nos muitos bares cá da terra que aos poucos nos foram deixando ainda antes dele.
Foi uma das pessoas que mais contribuiu ao culto a Nossa Senhora da Praia, tendo pertencido à comissão organizadora das festas em 1999 e 2000. Nos anos seguintes, e enquanto teve força, participou empenhadamente na organização da Procissão.
Partiu ontem, 6 de Abril de 2020, depois de completar no passado mês de Março 74 primaveras de uma Primavera estranhíssima para todos nós, que tão pouco permitirá a despedida merecida que a população da sua terra natal gostaria de lhe presentear. No entanto, a devida homenagem f**a agendada para a próxima vez que a Nossa Senhora da Praia entrar no mar que o fez Homem, pois aqueles que vivem em nós serão eternos.